O professor Nicholas Negroponte, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), virá ao Brasil no início de junho para apresentar ao governo brasileiro a proposta da criação de um notebook avaliado em cem dólares.
De acordo com Jean Claude Frajmund, assessor especial do Ministério das Comunicações, que esteve no MIT em Boston (EUA) na primeira quinzena do mês para conhecer o computador, a equipe de Negroponte vai demonstrar às altas esferas do governo o projeto e os detalhes da tecnologia para o computador portátil de baixo custo.
"Esta será uma apresentação preliminar e marcará o início das conversas com o governo. Achei o projeto muito completo, e não trata só de tecnologia, mas aborda também questões importantes voltadas à educação", declarou.
Nos planos do governo está a utilização do computador portátil de baixo custo - equipado com software de código aberto - como um instrumento de inclusão digital dos alunos de escolas públicas. Na prática os equipamentos devem ser distribuídos aos estudantes de maneira semelhante a livros.
"A idéia é ter um lap top por aluno, com aplicativos, browsers e livros didáticos digitais. O conceito é de que os alunos possam levar os equipamentos para casa e interagir com os familiares e com a tecnologia. Com um notebook barato distribuído aos alunos existirá um trabalho de capacitação para o futuro que colocará o País no topo da inclusão digital dentro de 15 anos", estima.
De acordo com Frajmund, a intenção é começar a tirar o projeto do papel já em 2006, com a compra de um milhão de notebooks. Os fornecedores ainda não estão definidos, já que serão escolhidos a medida que as empresas começarem a adotar a proposta tecnológica do MIT para a fabricação de equipamentos de baixo custo.
"O trabalho de pesquisa e desenvolvimento que o Media Lab do MIT está realizando prevê a demonstração para os fabricantes da tecnologia em questão. Eles vão mostrar que é possível construir um notebook de cem dólares. A escolha dos fornecedores vai estar relacionada com as empresas que exergarem o modelo como viável e começarem a produzir os equipamentos", diz.
Na opinião do assessor do Ministério das Comunicações, a indústria mundial trabalha com equipamentos sempre mais performáticos e com grande definição de tela, e também com processamento que atende os padrões dos mercados mais ricos do primeiro mundo e do terceiro mundo. O conceito é criar uma tecnologia e demonstrar para a indústria que existe um mercado grande que pode consumir também os equipamentos de baixo custo e com alto desempenho.
Segundo Frajmund, mesmo sendo de baixo custo, o projeto de Negroponte não deixa a desejar no que diz respeito a desempenho e qualidade, oferecendo, por exemplo, monitor com tela de 14 polegadas. O preço de produção do equipamento é de cerca de 90 dólares, sendo a margem de lucro de 10 dólares.
"A meta é comprar um milhão de computadores na fase inicial do programa justamente por motivo de velocidade, mas na segunda etapa, no segundo milhão de equipamentos, o ideal seria a existência de uma planta de montagem no Brasil, de acordo com o PPB [processo produtivo básico]", declara.
Os planos do governo vão ainda mais alto. Isso porque já é considerada a exportação dos notebooks populares fabricados no Brasil para países da América Latina. O projeto, entretanto, seria posterior à fase de vendas internas, segundo assinala o assessor.
Além do Brasil, o projeto do notebook de cem dólares é apontado como viável por Negroponte para outros mercados como África do Sul, China e Índia.
Fonte: IDGNow
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