O Magazine Luiza, conhecido até hoje como uma rede de eletrônicos e móveis do interior de São Paulo, montou uma estratégia ousada, nunca antes testada por uma varejista, para entrar na capital paulista, o maior mercado consumidor do país. A rede irá abrir de uma só vez entre 50 e 55 lojas em várias regiões da cidade e municípios vizinhos, como Poá e Guarulhos. O Valor apurou que a data prevista para a inauguração é 13 de setembro, um sábado. O dia, porém, é mantido em segredo absoluto pelo Magazine Luiza e pela agência de publicidade da rede, a Etco Ogilvy.
Segundo fontes do setor, a empresa está enfrentando contratempos com o andamento das obras em alguns pontos e é possível que nem todos os endereços estejam concluídos a tempo. Procurado, o Magazine Luiza respondeu que não fornece nenhuma informação sobre a abertura das lojas na Grande São Paulo. Duas delas, pelo menos, ficarão em shopping centers. Conforme antecipou o Valor, um deles é o Shopping Aricanduva. A rede também irá abrir uma loja no Internacional Shopping, de Guarulhos. Em vários locais que estavam ou continuam em obras, tapumes informam que ali será uma nova unidade do Magazine Luiza. É possível ver o nome da rede estampado em uma loja na avenida Mateo Bei, na Zona Leste, em uma unidade do centro da capital, perto da Bolsa de Valores, e em uma loja na Praça da Árvore, na Zona Sul. Muitos desses endereços - 25 pelo menos - pertenciam à Kolumbus, cujos pontos estão nas mãos do Magazine Luiza desde o ano passado. Na loja de Poá, um dos municípios da Grande São Paulo, as obras já foram concluídas e já há até mesmo mercadorias, como geladeiras. No local, a informação fornecida aos potenciais consumidores é de que a loja irá abrir no fim de agosto. A unidade está localizada na avenida 9 de Julho, onde o Magazine Luiza terá como vizinhos fortes concorrentes - Casas Bahia, Lojas Cem e Extra Eletro. Ao manter em sigilo a data de abertura da lojas, o Magazine Luiza pretende dificultar a reação de seus competidores. Boas-vindas, porém, é algo que a varejista não irá receber dos seus rivais, que já estão preparando o contra-ataque. "Se eles fazem segredo sobre a inauguração das unidades, por que nós vamos revelar qual será a nossa estratégia", afirma Michael Klein, principal executivo da Casas Bahia. Perguntado se ele sabia quantas lojas do Magazine Luiza ficarão próximas às suas, Klein responde rapidamente: "Todas". Entrar na capital possui, certamente, um caráter simbólico para o Magazine Luiza, que deixa de ser uma rede do interior. Mais do que isso, porém, a inauguração das mais de 50 lojas possibilitará à varejista dar um grande salto nas vendas e ganhar musculatura para abrir o capital. A venda de ações em bolsa, assim como a chegada à São Paulo, é projeto acalentado há alguns anos pelos controladores do Magazine Luiza, a família Trajano, de Franca (SP). Em 2007, a rede faturou R$ 2,4 bilhões com 391 lojas. Ao entrar em São Paulo, a varejista agora ruma à marca de 500 lojas e chegará bem mais perto da segunda colocada, o Ponto Frio, que faturou R$ 4,2 bilhões no ano passado. Segundo uma fonte, não deve demorar muito para que o Magazine Luiza tire o projeto de abertura do capital da gaveta - isso pode ocorrer em 2009. Michael Klein, ao contrário, mantém-se firme na sua decisão de não lançar ações da Casas Bahia. "Não faz parte dos meus planos", afirma o empresário, que planeja deixar a decisão sobre abertura de capital para os seus sucessores, a terceira geração da família Klein que está chegando à empresa. (Colaboraram Alda do Amaral Rocha, Luciana Marinelli e Daniele Madureira). Fonte: Varejista
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